Fiquei um tempinho sem aparecer por aqui, né? Te peço desculpa por esse hiato. Aconteceram algumas coisas, nos últimos dias, que me mantiveram afastada das redes sociais e aqui do blog. Não exatamente por falta de vontade: em alguns momentos eu quis dividir o que estava se passando, e também senti falta de sentar e escrever sobre a vida por aqui.

Mas até uns dias atrás eu ainda não tinha encontrado uma maneira de fazer isso. Comecei aos poucos, e fui me abrindo com um post tímido no Instagram, alguns stories, e um vídeo onde abro de verdade o meu coração e explico melhor o que aconteceu. Basicamente, no finalzinho de dezembro eu descobri que estava grávida, e, na semana passada, passei por um aborto espontâneo.

Hoje, me sentindo mais à vontade para falar sobre esse assunto, eu quero conversar um pouco com você sobre esses momentos difíceis da vida. Não exatamente sobre como funciona um aborto – porque não acho que aqui seja o lugar para isso -, mas sobre como, às vezes, os nossos piores momentos podem acabar nos proporcionando coisas boas e muito aprendizado.

Seu pior momento pode ser a melhor coisa que já aconteceu | Miss Paper | Karina Matos
Tive que tirar esse últimos dias para ficar mais quietinha e aproveitei esse tempo para pensar bastante sobre as coisas que tenho vivido

UMA OUTRA HISTÓRIA

A primeira vez em que eu tive vontade de falar sobre isso, na verdade, foi por causa de um outro episódio bem marcante que aconteceu comigo. Há alguns anos atrás, eu descobri que estava sendo traída. Não era qualquer traição: ela já vinha durando há um tempo, como uma espécie de segundo relacionamento do meu ex namorado; e minha relação com ele já tinha quase 5 anos na época.

Não pretendo entrar em muitos detalhes – porque essa também não é a intenção do post -, mas, na época, essa descoberta me causou muito sofrimento. Eu amava o meu ex, e embora hoje consiga enxergar claramente vários sinais da direção que meu relacionamento com ele estava tomando, a velha Karina não queria ver o que estava diante dos seus olhos.

Eu errei muito durante aquele período. Me diminuí. Mas acho que não me arrependo das decisões que tomei, afinal, lá atrás, eu não sabia o que sei hoje. Eu tinha medo de sofrer mais, de ficar sozinha, de não ser amada, de não conseguir gostar de outra pessoa… Ainda que eu me sentisse bonita, que fosse independente, que estivesse com 20 e poucos anos de idade… Eu morria de medo, e me apequenava para caber dentro da minha zona de conforto.

Até que ela ficou insuportável. Levou um tempo – por volta de um ano, mais ou menos – mas uma hora eu acordei e tomei coragem para sair daquela relação que, na realidade, já tinha acabado há anos e que eu, na minha ignorância, ainda tentava manter. Entendi que não fazia mais sentido. Só que, mesmo tendo tomado uma decisão consciente, não foi fácil.

O QUE VEIO DEPOIS

Contei essa história para você, não para a gente sentar e chorar juntas por um dia um namorado meu ter me traído, mas para te explicar o que aconteceu depois disso. O que foi feito de todos aqueles medos que eu tinha, e qual foi o resultado de eu um dia – finalmente – ter tido coragem de largar aquele relacionamento para trás.

Se você me conhece um pouquinho que seja, deve saber que hoje eu estou numa outra relação, que vai completar 3 anos no próximo mês de maio. Felipe e eu moramos juntos, e, no meu último aniversário, ele me pediu em casamento com direito a solitário e tudo. Tem noção de que era meu sonho de princesa? Fiquei noiva e ganhei um anel de diamante. Foi o dia mais feliz da minha vida! 💛

Bem antes disso, lá atrás, quando conheci o Felipe, nem tudo foram flores. Nós tínhamos uma boa quantidade de espinhos, para dizer a verdade, em grande parte por conta de as nossas personalidades serem muito diferentes. O mais gritante para mim é que ele era um cara super otimista e positivo, e eu era meio ranzinza. Também não é como se ele não tivesse defeitos néam: tínhamos nossos conflitos e haviam algumas coisas que eu não aceitava… Mas, com amor, vontade e paciência, nós nos resolvemos e chegamos onde estamos hoje.

Depois de tudo que vivemos juntos, acabou que o Felipe foi responsável por algumas das maiores mudanças que já aconteceram comigo. Tá certo que eu já tinha começado antes da gente namorar: para dar um exemplo, até crossfit me arrisquei a fazer por um tempo, e Deus sabe como eu nunca tinha nem cogitado entrar num ambiente desse. Mas até começar a me relacionar com ele, eu estava dando passinhos de tartaruga, e ainda mantinha uma mentalidade muito fixa e atrasada.

HÁ MALES QUEM VEM PARA O BEM

Com o passar dos meses, quanto mais tempo eu passava com o Felipe e quanto mais ele contrariava minhas desculpas para me manter dentro da boa e velha zona de conforto, mais desconfortável eu ficava, e, consequentemente, mais eu crescia. Chegou uma hora em que passei a me desafiar de propósito: queria ver quais seriam meus novos limites. O auge, para mim, foi começar a montar um negócio. Sempre achei essa ideia meio insana.

Mas fui seguindo a onda dele. Dizem que a gente é uma média das 5 pessoas com quem mais convivemos, e eu realmente fui ficando mais parecida com o Felipe conforme a nossa relação foi se fortalecendo. Não em tudo, obviamente: tem defeito que eu não pego para mim, não! 😂 Mas, definitivamente, hoje os meus dias tem um brilho e um significado muito diferentes do que teriam se o Felipe não tivesse me ensinado tudo o que ensinou.

E por isso eu sou extremamente grata a tudo o que vivi antes de conhecê-lo. Todas as escolhas, as traições, os choros e as despedidas. Tudo o que se conectou até que fosse possível que o meu caminho cruzasse com o dele na hora certa. Se as coisas tivessem acontecido do jeito que a Karina de 2015/2016 queria, é provável que hoje eu ainda vivesse do mesmo jeito: fragilizada, conformada, pequena.

Mas não. Mesmo contra a minha vontade, eu vivi uma série de coisas que, na época, foram difíceis de entender e de engolir. Depois perdoei e libertei meu coraçãozinho, quando percebi que já tinha sentido o suficiente. E na hora certa, uma outra vida, cheia de coisas boas, se abriu para mim… 💛 Grande, e poderosa, e realizadora. Nenhum dos meus antigos medos chegou a virar realidade, e eu comecei a por para fora um potencial que nem sabia que tinha.

SEMPRE DÁ PARA RECALCULAR A ROTA

É por essas e outras que eu acredito que alguns dos nossos piores momentos podem acabar se tornando as melhores coisas que já aconteceram para a gente. Algumas situações podem não se tornar as melhores no fim das contas, afinal certos episódios são intrinsecamente negativos. Mas, na pior das hipóteses, viver uma experiência difícil faz a gente ficar um pouquinho mais forte e mais sábio do que era antes.

A situação que eu vivi nos últimos dias – que vivemos, na verdade, Felipe e eu -, para mim, também é um exemplo disso. Minha gravidez não foi planejada – logo eu, que planejo até a ida à padaria… – e pegou a gente de surpresa. E, embora estivéssemos refazendo todas as rotas para receber nosso bebê da melhor forma possível, ainda existem algumas coisas que gostaríamos de fazer antes de ter filhos.

Poderíamos ajeitar tudo? Claro que sim. Eu, que fiquei desesperada e custei a aceitar a gravidez, já estava sonhando com o dia em que veria a cara de um neném meio Karina/meio Felipe. Foi uma perda difícil, e ainda estamos nos “reacostumando” com a ideia de que agora não há mais bebê. Mas parte disso também envolve perceber que tínhamos um plano A antes de tudo começar, e que agora podemos voltar a ele.

Existe vida após um momento difícil. Às vezes, existe uma vida ainda melhor do que a de antes, com mais consciência e controle. E a forma como a gente encara os acontecimentos pode mudar TUDO. Se você estiver vivendo isso ou tiver passado por algo ruim recentemente, tente encarar as coisas por uma nova perspectiva. Daqui um tempo, pode ser que isso se torne a melhor coisa que já te aconteceu – ou simplesmente libere espaço para a melhor coisa acontecer. 💕