Você com certeza sabe que mudar, criar ou abandonar um hábito não é algo simples. Certamente você tem consciência sobre uma ou duas coisas que deveria (ou não deveria) estar fazendo para que a sua vida fosse mais saudável, mais próspera, mais feliz… E, mesmo sabendo disso, continua fugindo delas. É ou não é?

Isso acontece com todo mundo. Toda a nossa vida é formada por um conjunto de hábitos, que nada mais são do que comportamentos que o nosso cérebro aprendeu a fazer, de forma bem feita, gastando o mínimo de energia possível.

Desenvolver hábitos é algo em que o nosso cérebro é bom, inclusive. Justamente porque ele é um órgão que custa caro para o nosso corpo: consome energia demais para fazer o que faz. Quando nosso cérebro identifica que estamos fazendo alguma coisa direitinho, ele automatiza cada vez mais aquela atividade, como forma de poupar energia.

Mas por que é tão difícil mudar, então?

Apesar dessa vantagem, aqui entra outra questão. O cérebro automatiza as nossas ações para economizar energia porque ele é meio preguiçoso. Como consequência, hábitos mais “grandiosos” requerem mais esforço da nossa parte, até que sejam automatizados. O cérebro vai meio que lutar contra eles durante um tempo, já que consumirão mais da nossa energia no início.

Se você dirige, deve se lembrar de como era logo quando tirou sua carteira de habilitação. Você tinha que pisar na embreagem; acelerar ou frear; passar marchas; olhar em 3 retrovisores; se preocupar com os pedestres e com os outros veículos, tudo o mesmo tempo. No começo, podia parecer impossível.

Depois de alguns meses de prática, porém, as coisas foram ficando mais fáceis. Você não tinha mais que parar para pensar em por o cinto de segurança e ajeitar o retrovisor ao entrar no carro; ou pisar na embreagem e girar a chave para ligar o motor; ou em fazer todos os itens da lista acima. Quando menos esperava, você se viu fazendo tudo no automático.

Da mesma forma, outros comportamentos e ações que você repete com frequência também se tornam automáticos. Mas apenas se você sobreviver à fase inicial: aquela onde tudo parece difícil demais e onde tudo requer energia demais. Se você for capaz de ultrapassar essa barreira, aí as coisas começam a facilitar.

5 passos para a mudança

Pensando nessa dinâmica, hoje eu quero compartilhar com você 5 passos que eu pratico para incorporar novos hábitos na minha rotina. Eles estão amparados por vários estudos sobre como a nossa mente funciona, e, se você quiser se aprofundar mais nesse assunto, eu super recomendo acompanhar o canal NeuroVox.

Antes de ir para as dicas, só quero deixar claro que essa é a minha abordagem sobre esse tema, e que podem existir várias outras. O que estou dividindo com você hoje, inclusive, é apenas uma parte do que funciona para mim – existem outras práticas que eu aplico no dia a dia para me disciplinar e cumprir meus objetivos.

Mas, apesar de você não precisar tomar as minhas palavras como verdade absoluta, tenho certeza de que aplicar esse passos pode te ajudar muito! Como eu disse, eles são baseados em resultados de estudos sobre o cérebro; e você já viu que ele é quem manda nos nossos hábitos. 😉

1 | Aja mesmo – e principalmente – quando estiver desmotivada

Essa para mim é uma regra de ouro, e eu já falei um pouco sobre isso em outros posts no blog, como nessa resenha aqui. Lembra que eu disse que o nosso cérebro é preguiçoso? O tempo todos estamos buscando maneiras de ficar na nossa zona de conforto e de fazer as coisas do jeito mais fácil.

Isso significa que muito dificilmente você vai sentir vontade de fazer algo que te pareça muito complicado ou desafiador. É por isso que deitar no sofá é muito mais convidativo do que levantar e ir para a academia. Treinar exige esforço, e esforço demanda energia. Seu cérebro sempre vai escolher a primeira opção, se você permitir que ele aja sozinho.

Acontece que, apesar de estarmos sempre procurando recompensas imediatas, todas as grandes conquistas da vida são feitas através de dedicação e esforço constantes. Nada grandioso vem fácil ou chega do dia para a noite. É preciso lutar contra as nossas pequenas vontades, se quisermos alcançar algo maior.

Portanto, se quiser mudar um hábito, não espere se sentir motivada ou inspirada a fazer isso. O dia perfeito não vai chegar. Você não vai estar se sentindo mais inclinada a estudar ou a melhorar sua alimentação na semana que vem. Dê um primeiro passo, mesmo – e principalmente – se estiver sem vontade de fazer isso. Eu te garanto que os próximos serão menos dolorosos. 🙂

2 | Quebre seus desejos em pequenos pedaços

Esse pode parecer um conselho meio batido, mas é um fato. Um dos motivos que podem estar te impedindo de adquirir hábitos mais saudáveis é pensar grande demais. Muitas vezes não fica clara para nós a distinção entre os nossos sonhos, metas e as ações que precisamos tomar para fazê-los acontecer.

Para entender melhor esse tópico, eu recomendo que você leia este post aqui, sobre metas inteligentes. Mas, basicamente, o que eu quero dizer é: o sonho, objetivo, ou meta que você quer atingir é o seu norte. Seus hábitos – ou passos diários – é que são o caminho.

Se você focar sua atenção apenas no resultado final – seja ele uma viagem, uma carreira, uma graduação, ou qualquer outra coisa -, os pequenos detalhes do dia a dia vão passar despercebidos. E, no final, são esses detalhes que vão construir o resultado que você espera.

Como eu disse no passo anterior, toda grande conquista é feita de pequenas atitudes consistentes. Quebre aquilo que você deseja em várias partes e trace um plano para trabalhar em cima de cada uma. Tenha o resultado final em mente, mas mantenha sua concentração nos detalhes que te farão chegar lá.

3 | Saiba quais são seus gatilhos

A ciência diz que todo hábito, para o bem ou para o mal, tem um gatilho. Esse gatilho é o que te desperta para agir em relação à esse comportamento automático, e, sem reconhecê-lo, dificilmente você conseguirá mudar alguma coisa.

Vou te dar um pequeno exemplo prático. Eu tenho muita dificuldade para acordar cedo, mesmo que seja para fazer algo gostoso. Muitas vezes meu despertador toca e eu continuo dormindo, meio que misturando a realidade com sonho. Na maioria das vezes em que eu acordo bem cedo para um dia importante, é porque passei a noite ansiosa sabendo que algo ia acontecer.

OS GATILHOS

Porém, se alguma coisa demanda minha atenção pela manhã, eu levanto da cama na hora. Seja o Gregório precisando sair para fazer xixi; seja porque eu fiquei menstruada durante a noite ou algo do tipo; ou seja porque estou ouvindo algum barulho e tenho que conferir se tranquei a porta…

Se algum motivo de “força maior” me faz levantar, dificilmente eu volto a dormir, então descobri que esse pode ser um dos meus gatilhos para acordar mais cedo. Mas é claro que não é todo dia que acontece alguma coisa que chama a minha atenção pela manhã, então não posso contar com essas forças externas para mudar meu hábito.

OS AMBIENTES

O que eu posso fazer é ajustar o meu ambiente, de forma a tornar mais provável que eu saia da cama. Dessa forma, também é mais provável que eu não volte para ela, mas sim desperte e comece o meu dia mais cedo. Confesso que eu ainda estou em fase de testes em relação a isso, e que colocar o alarme longe não me parece a melhor ideia boa porque vai me fazer acordar assustada – o que me deixa cansada durante o dia.

Mas o mais importante aqui é reconhecer que os nossos ambientes basicamente determinam a rotina que seguimos. Eu já reparei que, quando vou dormir por volta das 23h, costumo ter uma boa noite de sono e acordar sem precisar da ajuda do despertador no dia seguinte. Ou seja: provavelmente, ir deitar mais cedo também pode ser um gatilho para mim (e que, por sua vez, é ativado por algum outro gatilho.)

A lição que fica é: tente olhar para a configuração do ambiente que te cerca em relação a cada hábito que você deseja incluir ou mudar. Dificulte mais o seu acesso às coisas que você gostaria de retirar do seu dia a dia, e facilite seu acesso às que deseja incluir. Alguns ajustes simples podem fazer toda a diferença! 🙂

4 | Fique boa em uma coisa antes de começar outra

Eu sei que é muito tentador querer modificar vários aspectos da nossa vida ao mesmo tempo, principalmente nessa época de fim de ano. Sou do time que acredita que a passagem de tempo, por si só, não muda nada: se você não mudar, o ano “novo” será como todos os outros. Mas eu também acredito que esse ritual de fechamento de um ciclo e abertura de outro é uma boa oportunidade de renovar o nosso nível de comprometimento.

O problema é que, tomados por esse clima de recomeço, muitas vezes a gente se empolga e faz planos para mudar, de uma vez só, a nossa saúde; o nosso trabalho; a nossa vida vida amorosa; as nossas finanças… E, na maioria dos casos, acabamos desistindo no meio do caminho em todas as áreas.

Existem uma série de motivos pelos quais isso pode acontecer, mas o principal deles, para mim, é falta de foco. Energia é um recurso escasso para o ser humano. Quando você escolhe alocar um pouquinho dela em várias coisas, acaba avançando somente um pouquinho por vez em cada uma. Como consequência, tende a se sentir cada vez menos motivada e recompensada, já que não enxerga progresso na medida do seu esforço.

O QUE É MAIS IMPORTANTE AGORA?

É muito mais eficiente estabelecer o que você tem como prioridade em cada momento da vida, se dedicar a isso, alcançar resultados, e só então partir para outra. Não precisa se preocupar em deixar nada para trás: conforme você for progredindo dentro da sua prioridade, é provável que isso crie uma cadeia de acontecimentos que facilite o seu progresso em outras coisas também.

Vou te dar um exemplo pessoal: a minha prioridade atualmente é o meu trabalho. Ele é o que sustenta a minha vida financeira; e as minhas finanças são o que me permite realizar alguns sonhos e alguns desejos imediatos que eu tenho. Você vê? Não preciso atribuir o mesmo peso ao meu trabalho e a algum sonho X ou Y. Minha dedicação ao primeiro, automaticamente vai me levar ao segundo.

5 | Deixe seu antigo eu ir embora

Por último, minha dica favorita de todas: deixe o seu antigo eu ir embora. Eu já falei algumas vezes nas minhas redes sociais sobre como costumava ser uma pessoa com a mentalidade muito fixa e avessa à mudanças. Durante muitos anos, eu acreditei que tinha algumas características que eram simplesmente imutáveis, e me amparava nisso para continuar sendo a mesma Karina de sempre.

Já reparou como algumas pessoas usam a astrologia para isso, por exemplo? Sua colega de trabalho é mais preguiçosa porque é do signo X; ou a prima do seu namorado costuma ser grossa porque é do signo Y. Intencionalmente ou não, usar a astrologia ou qualquer outra desculpa para justificar a falta de interesse em gastar energia para mudar não leva ninguém a lugar algum.

5 passos para criar novos hábitos | Miss Paper | Karina Matos

Depois que comecei a ler e a estudar mais sobre crescimento pessoal, passei a me arriscar em certas coisas que eu nunca havia imaginado. Dois bons exemplos são a academia e o empreendedorismo. Nunca na vida eu me imaginei num box de crossfit ou abrindo minha própria empresa! Coisas que hoje fazem parte do meu dia a dia – ainda que eu fure os treinos de vez em quando.

DESCONFORTO E RECOMPENSA

Desde então, eu criei um certo fascínio por me permitir novos desafios e por ver o quão longe poderia chegar. Por mais doloroso que seja no início – e sempre é -, a sensação de que você se tornou alguém diferente e que está exercendo o seu potencial é algo indescritível. E nunca acaba: independente do quão grande você já seja, sempre terá como crescer mais um pouco.

A única forma de mudar nossos valores é ter experiências contrárias. E qualquer tentativa de se livrar deles por meio de experiências novas ou contraditórias inevitavelmente causará dor e desconforto. É por isso que não existe mudança sem dor, crescimento sem desconforto. Isso explica por que é impossível se tornar alguém novo sem antes sofrer a perda da pessoa que você era.

F*deu Geral, Mark Manson

Se permita crescer. Não se apegue à pessoa que você foi até ontem, ainda que tenha sido esse alguém por tempo demais. Uma vida de descobertas e um potencial que você nem sabia que estava dentro de ti estão te esperando, e sempre é tempo de ir atrás deles. 🙂

Espero muuito que essas dicas te ajudem, do mesmo jeito que ajudam a mim. Se quiser um empurrãozinho a mais, na nossa biblioteca de recursos eu disponibilizo um habit tracker lindo para rastrear os hábitos que você quiser implementar. Compartilha comigo quais são eles? O que você se compromete a fazer, a partir de hoje, para criar uma vida que você ame?