Sempre fui fascinada por cadernos! A ideia de ter um conjunto de papéis onde eu pudesse escrever, guardar e acessar as minhas memórias sempre me soou maravilhosa. E é por isso que eu adorei descobrir o conceito dos commonplace books, tema do post de hoje.

O QUE É UM CPB

Um commonplace book, de acordo com as minhas pesquisas (que começaram através do blog Vida Organizada), é basicamente um caderno onde você anota informações sobre seus aprendizados, estudos e referências.

Diferente de um diário, ele não é exatamente focado em relatos íntimos. E, diferente de um planner ou bullet jornal, também não tem exatamente a função de uma agenda. O CPB é mais ou menos uma central de textos e citações, que ficarão ali pra ser consultados posteriormente.

A organização geralmente é feita em ordem cronológica, e pode incluir índices e paginação, pra facilitar o acesso. E o CPB também costuma ser escrito à mão (acredito que como uma forma de exercitar a escrita e reforçar o aprendizado 🙂).

COMO EU COMECEI

A ideia do CPB me surpreendeu porque, sem saber, eu meio que já faço meus commonplace books desde que me entendo por gente. Desde a adolescência, não consigo me lembrar de uma época sequer da minha vida onde eu não tivesse um caderno me acompanhando pra tudo.

Só que eu não faço meus CPBs exatamente como descrito nas pesquisas que fiz… Ou seja: eu dou uma misturada entre o commonplace book raiz (anotações de estudos e referências pra consulta); o diário (relatos da minha vida pessoal); e o bullet journal (listas de tarefas e agenda).

Quando mais nova, como não tinha nada importante pra escrever, eu só anotava coisas banais mesmo. Trechos de músicas, pensamentos, bobagens da cabeça de adolescente, sonhos… Eu também fazia umas colagens e deixava tudo colorido. 😂

commonplace book | miss paper
Alguns dos cadernos dessa época estão comigo até hoje, e confesso que tenho um pouco de vergonha de ler 😂

Já no meu primeiro ano no mercado de trabalho (2011, quando eu tinha 17), comecei a usar o (que hoje viria a chamar de) commonplace book de forma mais séria: anotava nele as informações necessárias pra cuidar das empresas na contabilidade; fazia listas de tarefas; reunia informações e documentos…

commonplace book | miss paper
Também tenho o primeiro CPB de adulta guardado 🙂

O QUE FAÇO POR AQUI

Sigo assim até hoje: não importam as circunstâncias, eu sempre tenho um caderno pra centralizar as informações mais importantes da vida. E sempre acabo fazendo uma mistura entre estudos; referências; relatos pessoais; e agenda.

Testei formatos e tamanhos diferentes, e descobri que meus favoritos são os cadernos de espiral (porque consigo abrir e dobrar sem problemas), de preferência com 160 ou 200 folhas, bem gordinhos. Gosto dos de tamanho médio, nem tão grandes quanto os universitários e nem tão pequenos como os A6, mas me viro com todos.

Já que curto fazer um “apanhado” de temas no caderno, também já tentei separar por áreas (tipo, matéria 01 pra sonhos; matéria 02 pra agenda; matéria 03 pra livros…). Não deu certo. Meu último CPB (atualmente estou em transição, finalizando esse e começando um novo) acabou ficando uma zona sem a ordem cronológica.

Resolvi, então, voltar às minhas raízes e iniciar meu novo commonplace book da primeira página, seguindo a ordem do tempo: sempre que necessário, abro a próxima página em branco, escrevo a data, e anoto o que quer que seja que eu queira registrar.

commonplace book | miss paper
Cadernos que estou usando atualmente. Os de espiral são meus preferidos!

COMO FAZER O SEU

Se você se interessar pelo assunto e quiser começar (ou atualizar) seu próprio commonplace book, é fácil: só precisa de um caderno e umas canetas. 🙂 Pra mim, os pautados funcionam melhor. Mas você pode escolher outro formato – pontilhado, sem pauta… -, se gostar mais.

Eu te indico seguir uma ordem cronológica, pro seu caderno ficar mais organizado. Como falei aqui em cima, separar por tópicos não foi uma boa pra mim, e acabei de perdendo um pouco quando tentei fazer isso. Não precisa adicionar paginação e índice, se achar trabalhoso (eu, por exemplo, não faço isso nos meus).

No mais, a dica de ouro é: siga o que seu coração mandar! 😂 Quer escrever como como se sente? Fazer uma lista de pendências que precisa matar no mês? Anotar trechos dos livros que está lendo? Destacar aprendizados de um curso? Copiar uma letra de música? Faça tudo isso.

Eu gosto de decorar meus cadernos com washi tapes, adesivos, e uso muita cor nas canetas e marca-textos. Também amo fazer colagens de artigos de revistas (pra ler e guardar) e imagens (pra criar moodboards e painéis para os meus sonhos, e pra decorar). Fica a seu critério fazer isso no seu ou não.

TUDO É PERMITIDO

Entendo que o negócio é antigo e tem tradição (parece que os precursores dos CPBs foram os escritos reunindo os aprendizados de filósofos há milhares de anos atrás, e que eles começaram a se tornar populares durante a Idade Média), mas também acho que tudo é permitido.

Gosto da ideia de ter um lugar só pra manter minhas informações reunidas, não importam quais. Manter uma caixa de entrada; o resultado dos meus estudos; mapas mentais; aprendizados de livros, todos juntos no caderno, é um método que funciona muito bem pra mim em termos de organização.

Acredito que não tenho por que mudar isso só pra caber “melhor” numa nomenclatura. 🙂 No entanto, como meu método tem bastante a ver com a descrição do commonplace book original, desde quando aprendi o conceito, é assim que eu chamo meu caderno. <3 Costumo dizer que faço os CPBs “do meu jeito”.

Sugiro que você faça o mesmo! Escolha seu caderno, pegue suas canetas favoritas e comece a por sua vida no papel. Vá adaptando conforme as suas necessidades e vendo o que funciona melhor pra você. E volta aqui pra me mostrar e me contar como é que está ficando! 💛